domingo, 28 de agosto de 2011

Gilson Souto Maior Junior: Brasil virou sinônimo de movimento financeiro religioso, algo meio sem ética...

NÃO QUERO MAIS SER EVANGÉLICO

Não estou brincando! A indignação toma conta de meu ser, pois não dá mais. Evangélico no

Brasil virou sinônimo de movimento financeiro religioso, algo meio sem ética – ou totalmente se preferir – em que

se rouba e depois ora pedindo perdão a Deus. O “mensalão” de Brasília revela não apenas o que há de pior na

política brasileira, mas algo cheira mal na fé evangélica também (ou plagiando o filme, “Fé de mais não cheira

bem”). Como é possível alguém orar e dizer que o “financiador” é uma bênção para a cidade?

A verdade é que hoje a cristandade está com a síndrome de Geazi, servo do profeta Eliseu (2Reis 5:20-27).

Correndo atrás dos tesouros de Naamã, a cristandade gananciosa (2Reis 5:20) mente e camufla situações para

justificar seus pecados (2Reis 5:22); pior, esconde o pecado (2Reis 5:24), mostrando a hipocrisia em que vivem

(2Reis 5:25). Desta vez foi a gota d’água, ver um pastor, que é deputado distrital – o que já é incoerente, pois ou é

pastor ou deputado – e o presidente da Câmara, orando e pedindo a Deus pelo gestor das fraudes, chamando-o

de “instrumento de bênção para nossas vidas e para a cidade”. Para a cidade de Brasília eu não sei, mas parece

que o gestor financeiro do mensalão foi uma “bênção” para outros.

Não é apenas isso (ou tudo isso), mas a Igreja Evangélica no Brasil virou um monstrengo, uma colcha de retalhos,

que mistura “alhos com bugalhos”, Bíblia com água e óleo ungido. Os pastores deixaram de ser homens de

reconhecida piedade para serem executivos da fé; jogaram no lixo a orientação de Paulo para serem ministros de

Cristo, que se ocupassem da leitura da Escritura, “à exortação e ao ensino” (1Timóteo 4:12,13), para serem

ministros de si mesmo, onde a “escritura” agora é auto-ajuda, e a exortação e o ensino viraram barganha de

promessas. Não me escandalizo mais, pois o que sinto é uma revolta contra aqueles que “seguiram pelo caminho

de Caim, e por causa do lucro se lançaram no erro de Balaão…” (Judas 11).

Por isso não me chamem de “evangélico”, pois este termo implicava numa atitude baseada no Evangelho de

Cristo. Mas hoje isso virou um termo jocoso e maldoso. Não quero mais compactuar com pastores que vendem e

compram igrejas (isso mesmo!) como se fossem propriedades privadas, investimentos financeiros lucrosos. Não

quero mais saber deste evangelicalismo sem ética, sem doutrina e que está mandando milhares para o inferno.

Chega deste evangelho de faz-de-conta, em que Jesus é apresentado como um “amigão”, mas nunca como

Senhor. Chega deste “evangelho” sem cruz, sem vergonha e mentiroso. Com certeza, Pedro está certo quando

afirma pelo Espírito Santo: “… Tais homens têm prazer na luxúria à luz do dia… enganam os inconstantes e têm o

coração exercitado na ganância. São malditos. Eles se desviaram, deixando o caminho reto e seguindo o caminho

de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça” (2Pedro 2:13-15).

E agora? Onde estão os apóstolos que pedem dinheiro e se envolvem com as maracutaias religiosas? Onde estão

aqueles que oram pelo dinheiro sujo e pedem em nome de Deus que os abençoe? Onde estão aqueles que

vendem igrejas com membros e tudo mais? Que pedem “trízimo” (não estou brincando), ao Pai, ao Filho e ao

Espírito Santo? Onde estão os profetas com suas “profetadas” e palavras “ungidas”? Onde está a Igreja que diz

proclamar em alta voz que o Brasil é do Senhor Jesus? Ouçamos Isaías: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao

bem, mal; que transformam trevas em luz e luz em trevas, e ao amargo em doce, e o doce em amargo!… Por isso

a ira do SENHOR acendeu-se contra o seu povo, e o SENHOR estendeu a mão contra ele e o feriu…” (Isaías

5:20,25a).

Aqui não é um julgamento. Que ninguém me venha com a falácia de “Não julgueis para não serdes julgados”, pois

isso é um simplismo de que se aproveitam muitos daqueles que são desonestos e usam a Bíblia para justificar

suas ações. Diante da injustiça não podemos nos calar, seja ela de um evangélico ou não. Não me chamem de

evangélico, pois não quero este evangelho mercadológico. Quero apenas ser cristão, quero apenas seguir a Cristo

e viver para Ele.

Autor: Gilson Souto Maior Junior, é pastor sênior da Igreja Batista do Estoril e professor de Antigo Testamento e

Hebraico da Faculdade Teológica Batista de Bauru – Fateo

Lécio Dornas: EBD - Penso que todos os esforços devem ser feitos para que alunos não sejam perdidos como também para que novos sejam ganhos


LIDERANÇA

POR UM ENSINO COM QUALIDADE

Pastor Lécio Dornas, preletor do Voe mais Alto, quer EBD eficaz

Por: Robson Morais - Redação Creio

De 21 a 23 de setembro no Anhembi em São Paulo, acontece mais uma edição do Congresso Voe Mais Alto ( www.voemaisalto.com.br), iniciativa promovida pela EBF Comunicações em parceria com a Editora Inspire. O evento visa fornecer ferramentas aos líderes, acompanhando o crescimento da Igreja Brasileira que segundo estimativas chegarão a 109 milhões de evangélicos.

Um dos preletores confirmados para a edição 2011 é o pastor e escritor mineiro Lécio Dornas, bacharel em teologia, com graduação e pós pelos institutos Haggai Institute Maui (EUA) e Universidade Federal do Mato Grosso. Especialista em Escola Bíblia Dominical, o líder avalia passo a passo os caminhos e obstáculos do ensino de qualidade na Igreja brasileira. “A EBD brasileira passa por um tempo de avaliação e necessidade de ser repaginada quanto à sua estrutura e ao seu funcionamento”, pontua. Dornas reconhece a grandeza do desafio, mas mantém tem um olhar positivo quanto a demanda e oferta existentes na escola bíblica. “Ao mesmo tempo em que há muitas pessoas dentro da Igreja, há salas de aula que ainda precisam de mais alunos, por isso basta repaginarmos”.

Numa prévia do conteúdo que preparou especialmente para o Voe Mais Alto, Lécio Dornas concedeu ao Creio, com exclusividade, uma entrevista, traçando os tópicos mais pertinentes a alunos e professores de todo o Brasil, como falta de investimento e preparação de líderes e falta de linguagem acessível aos públicos de diversas idades. “Quando a igreja aprender a se comunicar com a nova geração, sem duvida vai crescer em relevância para ela e, por conseguinte, atrairá ao invés de afastar a juventude. Quanto mais a igreja oferecer alternativas de propostas curriculares, locais, dias e horários para o estudo da Bíblia, mais pessoas vai alcançar” frisa.

Além de Lécio Dornas, nomes como Carlito Paes, Hernandes Dias Lopes, Josué Gonçalves, Robson Rodovalho e Professor Menegatti. Na edição 2011 o tema do evento é ‘Lideres para Transformar a Nação’ e as inscrições já podem ser feitas pelo sitewww.voemaisalto.com.br.

CREIO- Como o senhor avalia, de modo geral, a EBD brasileira? A qualidade do ensino se mantém em alta?

Lécio Dornas - Na minha avaliação, a EBD brasileira passa por um tempo de avaliação e necessidade de ser repaginada quanto à sua estrutura e ao seu funcionamento. Sua proposta é de extraordinário valor e de uma relevância cuja atualidade é inquestionável; no entanto, o cumprimento de sua missão educacional e transformadora tem sido prejudicado exatamente por falta de atualização e contextualização.

O que é maior, se tratando de EBD, a demanda ou a oferta? Qual o principal público hoje?

É uma questão de avaliação. Se entendermos por demanda o conjunto das pessoas que estão nas igrejas, embora fora da EBD, bem com das que nem mesmo na igreja estão; eu afirmo que a demanda é muito maior que a oferta, pois não caberiam nas classes se todos votassem à EBD. Porém, se olharmos apenas os lugares vazios dentro das classes de EBD das igrejas que ainda não acordaram para a necessidade de repaginarem a maior escola do mundo, podemos concluir que a oferta é maior que a demanda. Particularmente, prefiro a primeira avaliação.

Não investir em educação bíblica é o que mais afasta o jovem de hoje da Igreja?

A falta de investimento em educação, sem dúvida, é sempre prejudicial. Penso inclusive que um investimento mais sério e comprometido com a Educação Religiosa focado na infância e adolescência, ajudaria muito na diminuição do afastamento do jovem da igreja. No entanto, vejo que esta questão é mais abrangente, tocando essencialmente na capacidade da igreja contemporânea de se comunicar com a nova geração. Tal comunicação requer o entendimento tanto do comportamento, quanto da linguagem, como das necessidades espirituais e religiosas do jovem de hoje. Quando a igreja aprender a se comunicar com a nova geração, sem duvida vai crescer em relevância para ela e, por conseguinte, atrairá ao invés de afastar a juventude.

Há igrejas que, para dinamizar a EBD, alternam horários, locais e até mesmo dias para o ensino. Como o senhor avalia esta prática? É uma ferramenta eficaz e, se achar que é, vale tudo para não perder alunos?

Quanto mais a igreja oferecer alternativas de propostas curriculares, locais, dias e horários para o estudo da Bíblia, mais pessoas vai alcançar. Trata-se mais de uma estratégia para dar a mais pessoas acesso ao estudo da Palavra de Deus, do que de uma ferramenta. Penso que todos os esforços devem ser feitos para que alunos não sejam perdidos como também para que novos sejam ganhos. A igreja deve ser incansável em oferecer opções novas e alternativas criativas para o estudo das Escrituras e, assim, alcançar cada vez mais pessoas.

Aos que ainda tem dificuldade de manter um ensino forte e com um público grande, o que o senhor recomenda? Quais os erros e quais os melhores caminhos para quem quer investir mais em EBD?

Penso que os pontos mais importantes são: Foco na capacitação e preparo dos professores, investimento em recursos viabilizadores de melhoria de ensino, planejamento educacional que contemple alternativas que sejam do interesse dos membros da igreja, adoção de uma política orçamentária que contemple de forma significativa a tarefa educacional e, por fim, uma ação pastoral incentivadora e apoiadora à proposta da EBD.


Fonte: Creio